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Pequenas e Médias Empresas
QUARTA-FEIRA, 30 DE OUTUBRO DE 2013
O ESTADO DE S. PAULO
Gisele Tamamar
A atenção que eles demandam
é menor. Assim como os gastos.
Além disso, o brasileiro está tro-
cando a casa pelo apartamento.
Essas são as principais mudan-
ças que explicam o motivo pelo
qual o número de gatos cresce,
no País, o dobro da quantidade
de cachorros. Para o pequeno
empresário isso significa uma
coisa: oportunidade.
Dados da Associação Brasilei-
ra da Indústria de Produtos pa-
ra Animais de Estimação (Abin-
pet) mostram que o Brasil ti-
nha 21,3 milhões de gatos em
2012, 16,3% a mais do que em
2010, quando existiam 18,3 mi-
lhões de felinos.
Já a população
de cães cresceu
8,1% no mesmo
período, de 34,3
milhões
para
37,1 milhões.
Os gatos são
20% do total de
animais de esti-
mação e a asso-
ciação estima
que as vendas
de produtos e
serviços
para
eles represen-
tem 10% do fatu-
ramento total
do mercado, esti-
mado em R$ 15,4 bilhões para
este ano. Isso ocorre porque os
gatos comem menos e exigem
menos produtos, segundo o pre-
sidente da Abinpet, José Edson
Galvão de França. “Na minha
opinião, é um segmento que
tem muito espaço para investi-
mentos”, afirma.
A médica veterinária Denise
Terra é dona de um
cat shop
,em
Porto Alegre, chamado Gatolân-
dia. Ela abriu a loja de 30 me-
tros quadrados em 2011 e há
um ano mudou-se para um es-
paço maior, de 150 metros qua-
drados. “Eu sempre convivi
com gatos e foquei minha for-
mação neles. Eu não queria tra-
balhar em hospital e meu pai
disse: ‘por que você não abre
uma pet shop especializada em
gato?’”, conta Denise.
Na avaliação da veterinária,
que agora cuida da parte admi-
nistrativa do negócio, o merca-
do brasileiro é limitado em rela-
ção ao que existe no exterior.
“Infelizmente o foco ainda é o
cachorro. Pouca gente acordou
para o número crescente de ga-
tos, mas a cada ano surgem no-
vos produtos.”
Para Denise, por exemplo, há
carência de ração terapêutica
para animais com intolerância a
certos alimentos. E também fal-
tam brinquedos para os felinos.
“Tem muitos brinquedos que
aparecem no programa ‘Meu ga-
to endiabrado’, do Jackson Ga-
laxy (exibido no canal Animal
Planet), que os clientes pedem,
mas não existem no Brasil”, la-
menta a empreendedora.
Mesmo assim, a segmentação
– atender ape-
nas os bichanos
– tem funciona-
do para Denise.
“A demanda é
bem diferente
do cão. O clien-
te vai saber que
se trouxer o ga-
to para atendi-
mento (no lo-
cal) não terá
cheiro e latido
de cachorro, coi-
sas que incomo-
dam o gato”,
pontua.
Já a Cozy Ga-
tos, que produz
arranhadores, surgiu da necessi-
dade pessoal da empreendedo-
ra Fernanda Prado. Ela é dona
da gata Nanny, que com 11 anos
passou por um tratamento para
retirar tártaro dos dentes. “O
veterinário não anestesiou direi-
to e ela ficou acordada durante
o procedimento. Isso foi um
trauma e quando ela voltou pa-
ra casa estava completamente
diferente, ficava escondida e
com medo de tudo”, lembra.
Em busca de uma solução,
Fernanda começou a estudar o
comportamento felino e desco-
briu que adaptar o ambiente aju-
da o animal. Mas quando foi
procurar um arranhador com
suporte para a gata ver a janela,
encontrou dificuldades. “Ela
tem umas loucuras de gato e sai
correndo. Fiquei com medo do
arranhador cair em cima dela.”
A solução foi fabricar o pró-
prio produto, que despertou o
interesse de outras pessoas.
Diante da procura, Fernanda
abriu a Cozy, com Marcos Pau-
lo Barbosa, há quatro anos. Basi-
camente existem 15 modelos,
que são personalizados de acor-
do com o pedido do dono e a
personalidade do animal; eles
custam entre R$ 200 e R$ 950.
“Quando comecei, lembro de
mensagens dizendo que o gato
estava destruindo o sofá e a
questão era tratada como pro-
blema. Hoje, as pessoas procu-
ram o arranhador para o bem-
estar do animal. Não é mais pe-
la questão de ‘não quero que
ele destrua nada’, mas porque
quero o gato feliz.”
Evento do setor
Pet South America
Feira internacional de
produtos e serviços para
a linha pet e veterinária
segue até amanhã, no Expo
Center Norte, em São Paulo.
Evento só para quem atua
no setor. Site: petsa.com.br
Aposteem produtos e serviços para gatos
PME
“O foco ainda
é o cachorro.
Pouca gente
acordou para
o número
crescente
de gatos”
Denise Terra,
dona da Gatolândia
Apostar em acessórios e nos
brinquedos para gatos pode
ser uma boa opção. Vale você
fabricar ou importar produtos,
já que a oferta no exterior é
bem maior do que a nacional.
O empreendedor não deve
investir no setor apenas
porque gosta de animais.
Como qualquer outro negócio,
é preciso foco profissional.
Um negócio de São Paulo,
por exemplo, cuida dos gatos
de clientes que vão viajar. Os
cuidadores vão até a casa para
trocar água, dar ração, limpar
a areia e brincar com o bicho.
Empresas podem investir
em alimentos para animais com
problemas de saúde. De acordo
com a veterinária Denise Terra,
o mercado tem poucas opções.
ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO
ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO
Gestão
DICAS
Produtos
Alimentos
Serviços
O brasileiro mudou e o
seu animal de estimação
também. Conheça quais
são as oportunidades
para você empreender
Cozy.
Marcos e Fernanda faturam com os arranhadores
ESTADÃO